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Ad perpetuam rei memoriam

Ad perpetuam rei memoriam (Para perpetuar a memória do facto)
Nos últimos dias, temos acompanhado as notícias sobre o estado de saúde do Papa Francisco. A gravidade da patologia e a sua idade avançada têm trazido a debate a sua sucessão, uma possível resignação e até a convocação do Conclave de eleição de um novo Papa.
Acreditando na força da oração e desejando o melhor ao Santo Padre, penso ser o momento de registar alguns factos do seu pontificado, para lembrança das gerações vindouras e não os deixar cair no esquecimento do tempo ou dos momentos.
Foi com muita surpresa que acompanhamos, em 2013, a resignação de Bento XVI e a convocação do conclave que elegeu o cardeal Bergoglio, argentino, como Papa Francisco.
No dia da sua eleição, regressava de uma peregrinação a Santiago de Compostela com uma centena de alunos do Porto, onde tínhamos participado na Missa pro elegendo Romano Pontífice, na qual se rezou pela eleição do novo sucessor de São Pedro. No regresso a Portugal acompanhamos pela rádio as notícias do fumo branco que saía da Capela Sistina. A expectativa era enorme e ainda maior foi a novidade do seu nome, Francisco como o Pobre de Assis, e a sua humildade ao pedir a oração e a bênção do povo reunido na Praça de São Pedro.
Ao longo do seu pontificado, foi um Papa sobretudo de gestos mais do que palavras. Recordamos as cerimónias de lava-pés de Quinta-Feira Santa, quando lavava os pés a reclusos, homens e mulheres. Lembramos quando abriu a Aula Paulo VI para festejar o Natal com os sem abrigo de Roma ou criou os balneários para que eles pudessem fazer a sua higiene na Cidade Estado do Vaticano.
Quem não se recorda do abraço dos Filhos de Abraão (judeus, islâmicos e cristãos), junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém; ou quando se ajoelhou diante dos líderes da guerra civil do Sudão do Sul, para lhes beijar os pés e pedir o dom da paz.
Trago à memória o seu encontro com o patriarca Kiril de Moscovo, em Cuba, abrindo portas para a reconciliação com a Igreja Ortodoxa, e a participação em Londres num culto anglicano, pedindo, assim, a restauração da unidade da Igreja.
Para os portugueses ficará na memória como o Papa da canonização dos Pastorinhos e do centenário das aparições de Fátima, deixando a frase «Temos Mãe!» E, a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, onde a uma multidão de jovens recordou que «a única vez que nos podemos rebaixar é apenas para ajudar a levantar os outros, abrindo as portas da Igreja a «todos, todos, todos…»
Para a História ficará, também, como o Papa que aguentou a Barca de Pedro, com as tempestades dos escândalos de abusos sexuais perpetrados no seio da Igreja, a condenação da lavagem do dinheiro das Máfias nas instituições eclesiais e por sozinho caminhar, numa Semana Santa, de Pandemia global, numa praça vazia até à cruz de Cristo.
O Papa Francisco foi o primeiro a publicar um documento oficial em língua vernácula «Laudato si», sobre a Ecologia e a defesa da Casa Comum que é o planeta Terra e por ter permitido o acesso legítimo das mulheres a cargos de chefia e governo na Santa Sé, coordenando Dicastérios, departamentos ou sendo mesmo a Governadora da Cidade Estado do Vaticano.
A sua forma simples de comunicar, criando empatia com quem o escutava, e a maneira como ensinou o modo de debater em Igreja, fazendo caminho sinodal, em redor de uma mesa, onde todos estão no mesmo plano e nível, independentemente da sua vocação eclesial.
Incompreendido por uns, amado por muitos, respeitado por todos, dentro e fora da Igreja, Francisco será sempre aquele que abriu novas formas e caminhos de viver em Igreja e de contato com aqueles que estão nas periferias da sociedade. Oremus pro Pontifice nostro (Rezemos pelo Papa Francisco) como sempre nos pede.
Sérgio Carvalho
“Novos Tempos” por Sérgio Carvalho para ouvir na RRB todos os domingos pelas 10H.