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1 em cada 3 turmas em Portugal ainda não tem acesso a fruta gratuita na escola

Conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) em parceria com a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI)sobre os hábitos alimentares das crianças nas escolas portuguesas durante o ano letivo 2022/2023.

Há desigualdades no acesso gratuito a fruta na escola entre distritos e regiões.

No total, 35,3% das turmas de jardim de infância e de 1º ciclo do ensino básico participantes no desafio Heróis da Fruta no ano letivo de 2022/2023 não tiveram acesso a frutas ou hortícolas distribuídas gratuitamente na escola. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo realizado pela equipa de investigadores do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), em parceria com a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI), que analisou os dados relativos a uma amostra de 21.773 alunos entre os 2 e os 13 anos de idade, de 586 estabelecimentos de ensino de todas as regiões de Portugal (continental e arquipélagos), participantes no projeto “Heróis da Fruta” – a maior iniciativa gratuita de educação alimentar do país, que conta com o apoio principal da ALDI.

Relativamente à distribuição gratuita de frutas e hortícolas no lanche escolar, a frequência de acesso a nível nacional das turmas inquiridas situava-se nos 64,7%.
Madeira (87,9%), Braga (86,1%) e Viseu (83,3%) foram as três regiões em que se verificou a maior percentagem de turmas com acesso a fruta distribuída gratuitamente na escola. Seguiram-se os distritos de Coimbra (80,0%), Faro (77,5%), Leiria (73,1%), Santarém (72,9%), Bragança (70,0%), Lisboa (69,8%), Aveiro (69,6%), Porto (62,7%), Castelo Branco (54,5%), Setúbal (54,1%), Évora (50,0%), Vila Real (45,0%), Açores (42,1%), Guarda (40,0%), Beja (37,1%) e Viana do Castelo (20,3%). Portalegre (13,3%) foi o distrito onde se verificou a menor percentagem de turmas com acesso gratuito a estes alimentos.
Quanto à fonte de financiamento, 66,4% das turmas com acesso a fruta gratuita relataram que o mecanismo de apoio a que recorreram foi o Regime Europeu de Fruta Escolar, 13,8% utilizaram verbas do próprio estabelecimento de ensino ou associação de pais, 11% beneficiaram do banco alimentar local, e 8,8% obtiveram apoio direto por parte das autarquias.
A nível nacional, observou-se que 26,3% das crianças não consumia fruta diariamente na escola, antes de participar no projeto Heróis da Fruta.
A nível municipal, os dados revelam diferenças ainda mais marcantes – em 33 municípios (dos 170 participantes) verificou-se que mais de 40% das crianças não consumia fruta diariamente na escola, sendo a realidade mais preocupante nos municípios de Ponte da Barca, Portel e Freixo de Espada à Cinta (percentagens superiores a 80%). Todavia, importa realçar que Portel e Freixo de Espada à Cinta fazem parte dos municípios onde mais se conseguiu reduzir a percentagem de crianças que não consumiam frutas todos os dias, no final da implementação do projeto. Por outro lado, em 10 municípios (Alcanena, Arraiolos, Azambuja, Caminha, Nazaré, Santo Tirso, Seia, Sertã, Vila do Porto e Vila Verde) observaram-se indicadores bastante positivos, com todas as crianças participantes a consumir pelo menos uma porção de hortofrutícolas diariamente na escola.

O relatório completo deste estudo será publicado simultaneamente nos sites oficiais da APCOI (http://www.apcoi.pt) e do ISAMB (http://isamb.medicina.ulisboa.pt) no dia 16 de outubro (Dia Mundial da Alimentação).